São Paulo, 23 de Agosto de 2019

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Os muitos modelos de farmácia

O modelo de varejo farmacêutico no Brasil encontra semelhantes no mercado europeu, com a venda quase restrita aos medicamentos. Já nos Estados Unidos e na Inglaterra, em que as drugstores assemelham-se a supermercados e lojas de cosméticos, a área de medicamentos é reduzida a pequenos balcões em que a receita médica é imprescindível na maioria dos casos.

E a fórmula permanece bem-sucedida, como a da norteamericana Walgreen e da inglesa Boots, por exemplo, que são verdadeiros supermercados, com produtos de higiene e limpeza, brinquedos e até eletroeletrônicos. Outra diferença é que há menos redes de farmácias, porém elas estão em todos os lugares.

Aliás, o mercado norteamericano possui menos operadores logísticos que o Brasil, já que grande parte dos laboratórios distribui diretamente para os pontos de venda. Já por aqui, produtos e serviços de conveniência oferecidos pelas farmácias ainda não representam uma mudança no core business, mas a possibilidade de gerar fluxo de consumidores nas lojas, oferecendo a facilidade do pagamento de contas ou acessórios complementares aos produtos adquiridos, como pilhas, protetores labiais ou pastilhas.

Embora haja redes que ofereçam alimentos, revelação de filmes e outros serviços, elas ainda são minoria. Outro diferencial: as farmácias brasileiras trabalham muito mal suas vitrines e poucas sabem explorar todo seu potencial com merchandising.

A cultura brasileira ligada aos antigos balcões de farmácia contrasta com o trabalho das grandes redes norteamericanas e inglesas, que se aproveitam especialmente do apelo dos dermocosméticos, grande margem de lucro e bons materiais de divulgação dos fabricantes para promover suas vitrines.

A CVS, uma das maiores redes de farmácia norteamericana, acaba de inaugurar sua 500ª clínica MinuteClinic, todas instaladas dentro das farmácias da rede. A concorrente Walgreen não ficou atrás e ampliou seu posicionamento de saúde e bem-estar com a criação da divisão Walgreens Health and Wellness, responsável pela gestão de centros de saúde e farmácias em grandes empresas, além das clínicas médicas Take Care dentro de pontos de venda da rede.

Nos Estados Unidos, mais de 44 milhões de pessoas não têm acesso a planos de saúde, agora aprovados pelo Congresso, e as clínicas rápidas em farmácias oferecem atendimento expresso e barato em casos simples, como gripes, inflamação na garganta e medição de pressão arterial. Como se vê, existem diversos modelos que podem ser trabalhados dependendo sempre do conceito e da filosofia que os órgãos de fiscalização e controle, que detêm o poder, desejam.

Mauro Pacanowski é consultor em varejo farmacêutico.

Fonte: Revista Ascoferj

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